[Crítica] Young Royals, de Lisa Ambjörn | 1ª temporada

Imagem: divulgação.

O encontro das obras literárias de Rachel Hawkins e Casey McQuiston, respectivamente Sua Alteza Real e Vermelho, Branco e Sangue Azul, (também com, alguns diriam, ainda uma pitada de SKAM) a nova série da Netflix, Young Royals, conta a história do Príncipe Wilhelm da Coroa Norueguesa e sua primeira paixão.

Tudo começa quando Wilhelm dá uma cabeçada num indivíduo (que não é bem um indivíduo pentelho, está mais para um pentelho indivíduo) ao sair de um estabelecimento. Sendo da realeza, o que não falta é um celular pronto para capturar ele, então a dita cabeçada, que acaba por se elevar para uma briga, vai parar na internet e ele, claro, se torna um meme. Sua mãe, absolutamente possessa, decide cessar o espírito rebelde do garoto o mandando para Hillerska, o internato onde todos os membros da família real estudam.

Ele, alguém tão desesperado por qualquer semblante de uma "vida normal", protesta com unhas e dentes, mas a rainha, irredutível, bate o pé com sua decisão final e, assim, ele vai parar em Hillerska. Entregue aos cuidados de August, melhor amigo de seu irmão, o Príncipe herdeiro Erik, e também seu primo, Wilhelm se sente desconectado tanto do lugar quanto das pessoas ali presentes. Isso é, até ele conhecer Simon.

Simon, diferentemente de muitos pares românticos por aí, não é reduzido somente a esse papel. Ele é um personagem completo e complexo, com uma família mais complexa ainda, assim como as dinâmicas sociais nas quais acaba por se envolver. Alguns poderiam até argumentar que ele divide o papel de protagonista com Wilhelm. Divisão essa que, tão natural, fornece uma construção ainda mais sólida para essa história que, digno notar, claramente possui uma espinha dorsal já muito bem colocada, tanto a ponto de permitir que tudo comece e termine com um detalhe em paralelo que não acaba por danificar toda a integridade dela.

Não bastasse tudo isso, a fotografia de Young Royals é, no mínimo, majestosa. Duvida? Eis aqui uma sequência:

Reprodução: Netflix

É tamanho o cuidado com os detalhes que não há falha em traduzir, sem o auxílio de ferramentas óbvias e mais práticas, como o diálogo, o significado deles para nós. É extraordinário. É uma série extraordinária, e isso se deve também ao fator de ser uma série que vai muito além, conseguindo explorar o tesão de jovens LGBTQ sem apagar o afeto, a paixão e o subsequente amor entre eles.

Claro, histórias em que o afeto é deixado de lado têm a sua importância, ainda mais quando se leva em consideração que o nosso tesão segue sendo tão demonizado e encarado como um dos mais hediondos dos crimes numa sociedade em que até mesmo os nossos maiores aliados custam a entender que a luta vai muito além do lema "amor é amor", mas histórias que procuram balancear ambos aspectos que vêm se tornando cada vez mais uma realidade na vida de muitos jovens queer precisam ser passadas à frente e colocadas em maior evidência.

Young Royals é essa joia preciosíssima que muito dificilmente se encontra por aí. Te entregando o esperado e inesperado da representatividade LGBTQ em mídia, ela fornece algo surpreendentemente humano; é a história de amor cheia de clichês que muitos de nós, apesar de desejar, realmente sequer conseguiu um dia vislumbrar nos encaixar, mas é a que aparentemente agora uma geração aí tem a possibilidade de sonhar em viver.


Você pode assistir a 1ª temporada completa de Young Royals na Netflix.

Jota Albuquerque

Jota é mais um jovem adulto vagando pela vida sem a menor ideia do que está fazendo (ou acontecendo). Tradutor Intérprete em formação, também pensa em se meter com Ciências Políticas e/ou Cinema. Um ser necessitado de paciência e autopreservação, ele é também um paulistano romântico viciado em pesquisas. Se tiver dúvidas de onde encontra-lo, é só seguir as trilhas de discussões políticas que há por aí.

[Crítica] Young Royals, de Lisa Ambjörn | 1ª temporada [Crítica] Young Royals, de Lisa Ambjörn | 1ª temporada Reviewed by Jota Albuquerque on julho 05, 2021 Rating: 5

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.