[Crítica] Enola Holmes, de Harry Bradbeer


Baseado na homônima saga de livros de mesmo nome, o novo (e tão polêmico) longa original da Netflix já está entre nós! E, entre risadas e riscos de engolir um inseto devido o encantamento, é impossível negar que Enola Holmes seja um filme espetacular. 

Obviamente não é só a questão emocional que entra em cheque aqui, mas ele realmente é um filme envolvente e deveras animador. Do primeiro instante ao último você se pega afundando de cabeça em todo esse universo curiosíssimo que é a vida dos Holmes, as dinâmicas entre Enola e sua mãe, a ausência dos irmãos mais velhos dela e suas intrigantes particularidades. De quem já tinha uma noção do mundo da Enola para quem acabou de chegar, o longa parece ter arrebatado todos, tanto que subiu ao Top 9 do Tumblr e se mantém nele já há 2 dias.

Contudo, também não se pode negar a previsibilidade de alguns momentos específicos, os quais, para quem tenha uma vasta experiência com filmes de mistério, romance e aventura (ou referente às áreas de criação de uma história), são facilmente detectáveis. O que não é ruim, dado que em diversos momentos há algo novo para se impressionar, mas é um detalhe que pode acabar por tirar a surpresa previamente planejada aos grandes e triunfantes momentos.

Em contrapartida, isso parece ser justamente o que traz camadas ainda mais atraentes à história. A sensação que o diretor passa é a de que você suspeitava do que viria a ocorrer não só pelo ponto em comum com outras obras, mas também — e exatamente — como uma medida preventiva (e, consequentemente, intensificadora) para os momentos que seriam subvertidos e diferenciados das obras semelhantes. Táticas que sequer haviam sido (bem) exploradas anteriormente em filmes do mesmo gênero foram escolhidas, isso enquanto ousavam também pisar em nichos que costumam fugir do gênero. É algo intrigante, no mínimo.

Millie Bobby Brown não deixa dúvidas de que foi a escolha certa para a interpretação de Enola, uma personagem carismática, divertida e fora do comum que caiu bem nela como se fosse uma luva. Com interações direcionadas ao telespectador que trazem uma sensação de conforto tal qual o de um amigo, do nosso lado da tela é como se não houvesse mais nada senão o filme. A abordagem escolhida para a narração combinou muito com os cortes, que não soam estranhos, mas naturais como a finalização do capítulo do último livro que você leu.

Chegando ao ponto mais esperado (e mais controverso) desse texto, o que dizer de Henry Cavill? Não dá para escrever esse parágrafo sem ceder pro meu lado fangirl, então o que eu digo é que esse homem foi um arraso! Ele é o Sherlock Homes que a gente não sabia que precisava até ter. O figurino, que era a maior preocupação em relação a como o apresentariam para nós, ficou perfeito, sequer evidencia os músculos monstruosos do homem. O personagem em si tomou posse dele de uma maneira sútil, elegante e cheia de presença, além dos cirúrgicos momentos de uma expressão contente, precisamente o que se espera de Sherlock.

A precisão das mensagens com requintes de um feminismo consciente e abrangente, um feminismo interseccional, são bem colocadas no meio do cenário de um período ainda distante do nosso. Incrível perceber que, nesse entremeio todo, o que não falta são brincadeiras joviais que, através das personagens e suas ações, expressam muito bem as reviravoltas dos desenvolvimentos para o futuro almejado e constantemente pautado.

Enola Holmes é um filme fresco, no melhor sentido da palavra. É um filme que apesar de trazer coisas com as quais já estamos acostumados, ainda assim consegue nos surpreender com suas reviravoltas e distintos pontos de vista numa história nova. Definitivamente duas horas mais que validadas, apaixonantes.

Jota Albuquerque

Jota é mais um jovem adulto vagando pela vida sem a menor ideia do que está fazendo (ou acontecendo). Tradutor Intérprete em formação, também pensa em se meter com Ciências Políticas e/ou Cinema. Um ser necessitado de paciência e autopreservação, ele é também um paulistano romântico viciado em pesquisas. Se tiver dúvidas de onde encontra-lo, é só seguir as trilhas de discussões políticas que há por aí.

[Crítica] Enola Holmes, de Harry Bradbeer [Crítica] Enola Holmes, de Harry Bradbeer Reviewed by Jota Albuquerque on setembro 24, 2020 Rating: 5

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.