[Crítica] Good Witch, de Craig Pryce e Sue Tenney

Se você nunca ouviu falar da série Good Witch, fico feliz que irá hoje.

Good Witch (em português, A Bruxa do Bem) é uma série de fantasia realista nos moldes de “dramédia”, continuação da história de mesmo nome previamente apresentada ao mundo em filme pela Hallmark ainda nos anos 2000. Com cinco continuações em filme, a série segue a vida de Cassandra (Cassie) Nightingale após a perda de seu marido.

Como você já deve ter adivinhado pelo título, ela é uma bruxa. Mas ela é uma bruxa real, sabe? Não temos grandes efeitos especiais, fantasias absurdas e acontecimentos insanos (ao menos, não insanos a ponto de não ocorrer na vida) – e não que isso, se esse fosse o caso, fosse ruim, mas é a falta dessas coisas que torna essa série real, palpável a nós, porque é como a nossa realidade funciona, inclusive em relação à bruxaria e à ocorrência do fantástico em nossas vidas.

Ainda nos primeiros episódios você se pega encantado pela atmosfera que vê, é como se fosse engolido para dentro daquele universo, os causos dos personagens te alimentando, te fazendo emocionar, lacrimejar e gargalhar. É uma sensação tão boa que é como viver enquanto não se permite ou não se consegue viver, é como fazer parte de um cotidiano, de vidas alheias, é como fazer conexão.

É uma série que fala em altos volumes conosco, mesmo que sussurrando. Ela é o canto das sereias que vai acalmar o mar que a nossa mente é, sempre nos permitindo terminar uma temporada com um maior conhecimento sobre nós mesmos e sobre a realidade em que vivemos, além de nos fazer perceber e lidar com algumas questões (internas ou não – em especial sentimentos que estavam enterrados bem no fundo desse mar), o que nos levará a, eventualmente, aceita-las. Pois é, ela é poderosa assim mesmo.

Eu venho acompanhando a história das Merriwicks há muitos anos já e, sendo honesto, eu não tenho senão uma crítica negativa a ser feita: a falta de naturalidade com atores em específico (que não fazem parte do elenco principal ou recorrente e costumam aparecer somente pelo tempo exigido pelo arco — geralmente um episódio) em cenas mais específicas ainda, o que também percebi que pode ser só um reflexo meu em relação a uma experiência de vida que eu, como brasileiro, não consigo ver naturalidade e, por isso, acaba me causando o estranhamento. De resto é só elogio. 

A direção (tanto do condutor por traz das cenas quanto da galera de arte) é muito bem feita, a edição é muito natural, a trilha sonora é encantadora, as histórias são adoráveis e é recheado de tudo o que fanfiqueiros mais amam: tropes como rivais-para-amantes, opostos-se-atraem e familiar-problemático. Contudo, reconheço que não é uma série para todo o mundo. Nem todos gostam do combo “pequena cidade, mistérios e romance”, o que é uma pena, mas eu realmente recomendo para todos os fãs de histórias como as das Gilmore Girls.

Ah! Good Witch está com cinco temporadas disponíveis lá na Netflix – e isso já com os episódios especiais que foram transmitidos como filmes no exterior.



Jota Albuquerque

Jota é mais um jovem adulto vagando pela vida sem a menor ideia do que está fazendo (ou acontecendo). Tradutor Intérprete em formação, também pensa em se meter com Ciências Políticas e/ou Cinema. Um ser necessitado de paciência e autopreservação, ele é também um paulistano romântico viciado em pesquisas. Se tiver dúvidas de onde encontra-lo, é só seguir as trilhas de discussões políticas que há por aí.

[Crítica] Good Witch, de Craig Pryce e Sue Tenney [Crítica] Good Witch, de Craig Pryce e Sue Tenney Reviewed by Jota Albuquerque on agosto 08, 2020 Rating: 5

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