Representatividades não-binárias em séries


Representatividade LGBTQ já é difícil quando se trata de livros; quando se trata de mídias televisivas, como séries, pior ainda (principalmente se sair do núcleo gay e/ou pessoa multissexual que se recusa a usar um rótulo). E pensando nisso, decidimos que já estava na hora de apresentar ao restante do mundo alguns personagens que se encontram fora dos gêneros binários, sejam elus de séries fantásticas ou mais realistas. 

Observação.: Para você que possa não saber, pessoas não-binárias são aquelas que não são 100% homem ou 100% mulher, podendo se identificar parcialmente com um deles (demigirl/demiboy), fluir entre eles ou outros gêneros (genderfluid, em português gênero-fluído), ausência de gênero (agênero), e além. A existência fora da binariedade é vasta, bem como o ser humano. 

Vamos às indicações?

Double Trouble, She-Ra e as Princesas do Poder (Netflix)




Reboot de She-Ra, a série She-Ra e as Princesas do Poder nos leva a acompanhar a narrativa que, mesmo escapista, trabalha de maneira surpreendentemente realista ao abordar toda a sua realidade, trazendo questionamentos espontâneos que servem de paralelos ao nosso mundo em meio a uma história onde existem princesas super-poderosas e anti-heróis intergaláticos. Double Trouble aparece na quarta (e penúltima) temporada da série, e os pronomes usados em inglês são they/them, que em português se interpretaria melhor para elu/delu.


Syd, One Day at a Time (PopTV)





Acompanhando a vida dos Alvarez, uma família cubana-americana, a série One Day at a Time é muito mais que as risadas e bons momentos que oferece. Trazendo questionamentos de comportamentos machistas enraizados na nossa sociedade até o que a Revolução de Castro quer dizer para muitas famílias cubanas, temos uma história dividida por três gerações: avó, mãe e filhos. Syd aparece na segunda temporada, também utilizando dos pronomes they/them em inglês, sendo recorrente e de extrema importância na vida da família. 

Janet, The Good Place (NBC)




Finalizada esse ano, The Good Place traz a cômica história de quatro pessoas no Lugar Bom (também possível traduzir para Inferno) e todo o processo deles de descobrir as suas novas realidades, buscar ser pessoas melhores e compreender a impossibilidade de uma vida total e imparcialmente boa. Janet é comumente refererida por ela/dela e é uma personagem recorrente desde a primeira temporada, sendo deveras importante para os demais personagens e para os seus caminhos que serão eventualmente traçados. 

Ametista, Garnet e Pérola, Steven Universe (Cartoon Network)




A série - recém finalizada - de Steven Universe é uma animação intensa e poderosa sobre amizade, amadurecimento e saúde mental, além de trazer consigo diversas representatividades e questionamentos sociais. A criadora da série, Rebecca Sugar, revelou que todas as Gems - incluindo as principais Ametista, Garnet e Pérola, mães de Steven - também são, como ela, mulheres não-binárias. Os pronomes delas são ela/dela. (Na última temporada também aparece um outro personagem humano que é não-binário, fica a dica!)


Castiel, Supernatural (CW)



Apesar de vir de um background religioso e - inicialmente - mais fechado, Supernatural vem se mostrando cada vez mais aberto e inclusivo, explicando questões que não haviam ficado claras o suficiente (ou haviam sido sequer abordadas antes). Seguindo a história de dois irmãos e da família que eles vão constituindo ao longo do caminho, a série nos apresenta Castiel na quarta temporada, O Anjo do Senhor, como é comumente chamado nessa temporada. É na 12ª temporada que ele explica como funciona a relação de anjos e suas cascas, explicitando que anjos não têm gêneros. Os pronomes de Castiel são ele/dele. 

Yael, Degrassi Next Class (Netflix) 




Degrassi é um universo televisivo canadense criado por Linda Schuyler e Kit Hood em 1979. A temporada de Next Class, da Netflix, traz alguns personagens da temporada anterior, The Next Generation, abordando diversas questões como suicídio, feminismo e racismo. Yael se descobre na quarta - e última - temporada dessa nova geração num processo lindo, às vezes doloroso, às vezes reconfortante, mas sem dúvidas bem feito e conduzido pela equipe da série. Os pronomes de Yael são they/them em inglês. 

Aziraphale e Crowley, Good Omens (Amazon Prime Video)




Good Omens, adaptação do livro de Neil Gaiman de mesmo nome (que já tem resenha aqui no site!), traz um anjo e demônio trabalhando juntos para deter o apocalipse. O que torna a série ainda mais interessante é que os dois possuem uma relação conturbada também pelos seus sentimentos (românticos) um pelo outro. E há não muito tempo atrás o autor confirmou que todos os anjos e demônios da série são não-binários, inclusive Aziraphale, Crowley e um Cavaleiro do Apocalipse (Pollution). 

Danny - a rua, Patrulha do Destino (DC Universe)





Spin-off de Titãs, a série segue esses desajustados heróis do universo da DC Comics lidando com seus problemas pessoais ao mesmo tempo que precisam enfrentar situações comicamente insanas para que o mundo como conhecemos não sucumba na mão de inimigos mortais. Danny é genderqueer, pronomes em inglês they/them, e apesar de aparecer em somente um episódio da primeira temporada da série, é o suficiente para nos fazer cairmos de amores por sua história e tudo que representa dentro do universo da Patrulha.

Rafa, Todxs Nós (HBO)






Nessa série nacional conhecemos a história de Rafa, uma pessoa não-binária, que foge de sua casa no interior da cidade de São Paulo para viver com o primo Vini, um homem gay assumido, e sua melhor amiga, Maia. Nesse processo de adaptação para todos, Rafa terá a oportunidade de se conhecer ainda mais e reconhecer algumas coisas que, na bolha que viveu desde criança, nunca teve a oportunidade de repensar. Pansexualidade, racismo e poliamor também são outros temas abordados nessa série. Os pronomes de Rafa: elu/delu.

Jota Albuquerque

Jota é mais um jovem adulto vagando pela vida sem a menor ideia do que está fazendo (ou acontecendo). Tradutor Intérprete em formação, também pensa em se meter com Ciências Políticas e/ou Cinema. Um ser necessitado de paciência e autopreservação, ele é também um paulistano romântico viciado em pesquisas. Se tiver dúvidas de onde encontra-lo, é só seguir as trilhas de discussões políticas que há por aí.

Representatividades não-binárias em séries Representatividades não-binárias em séries Reviewed by Jota Albuquerque on junho 06, 2020 Rating: 5

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