[Crítica] Adoráveis Mulheres, de Greta Gerwig




Se passando em algum momento dos anos 1860 (durante a Guerra de Secessão estadunidense), "Adoráveis Mulheres" (Little Women, no original) é mais uma adaptação do clássico "Mulherzinhas", de Louise May Alcott. Acompanhamos a história da família March: as irmãs  Jo (Saoirse Ronan), Meg (Emma Watson), Beth (Eliza Scalen) e Amy (Florence Pugh, em papel que rendeu uma indição ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), além da mãe (Laura Dern), com a história se dividindo em dois pontos do tempo diferentes: uma na infância/adolescência das meninas e outra 7 anos depois. 

Diferente do livro (onde o protagonismo das quatro irmãs é mais divididos), no filme a protagonista é claramente Jo March. Jo é uma mulher que não se encaixa muito nos padrões esperados das mulheres pela sociedade onde vive, sendo inclusive comparadas diversas vezes a um garoto; ela não se preocupa com a aparência, nem com vestidos e bailes: ela quer ser uma grande escritora e poder ganhar dinheiro com suas histórias.

Em uma das entrevistas, a diretora Greta Gerwig disse que as cenas da infância foram filmadas com um filtro dourado, para dar a sensação de nostalgia e saudade, enquanto nas cenas mais à frente foram usados tons mais frios. As passagens de uma linha do tempo para outra é feita de maneira dinâmica e rápida, apesar de na primeira mudança ter a legenda "7 anos antes",  mas quando vi essa entrevista, ficou mais evidente a diferença  de cores entre um e outro.

Uma das personagens mais intrigantes do filme é Amy. A príncipio você acha que ela é só uma menina mimada, mas Amy é muito inteligente e talentosa, e que amadurece bastante ao longo dos anos.  Ela faz o que é esperado: procura um casamento onde seja vantajoso financeiramente, para que ela possa ajudar a prover a família em momentos de necessidade. Uma das falas dela, já adulta, é como o casamento é, para a mulher, uma transação econômica e como ela precisa se preocupar com esse tipo de coisa, já que mesmo que ela tivesse dinheiro e se casasse, o dinheiro pertenceria ao marido e depois aos filhos, nunca a ela. Uma análise muito madura e sóbria da sua situação como mulher pobre na sua sociedade nos anos 1860.

Dois lados muito diferentes e em algum momento até meio antagônico, Jo e Amy sabem como "jogar o jogo" da sociedade onde estão; seja procurando um casamento com um homem rico, como Amy faz, ou adaptando suas histórias de uma forma mais comercial, de modo que os livros consigam vender, como Jo. Aliás, a penúltima cena fala sobre exatamente isso; estamos vendo uma cena e aí somos surpreendidos com uma conversa de Jo e seu editor, e eles barganhando o que iria acontecer, o que venderia ou não, e isso mudando os rumos da história.

"Adoráveis Mulheres", apesar de se passar há mais de 150 anos atrás, fala muito conosco hoje em dia, e Greta Gerwig faz um trabalho primoso e uma adaptação diferente de todas as outras que a gente viu até agora.

Caroline Cardozo

Caroline faz licenciatura em Física. Tem seu gosto musical formado pela Rádio Cidade e Disk MTV. Gosta de Crepúsculo e Jane Austen. Meio perdida sobre tudo mas nada surpreendente vindo de uma milleniall.

[Crítica] Adoráveis Mulheres, de Greta Gerwig [Crítica] Adoráveis Mulheres, de Greta Gerwig Reviewed by Caroline Cardozo on fevereiro 18, 2020 Rating: 5

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