Crítica: Deixe a Neve Cair, de Luke Snellin

Deixe a Neve Cair (film 2019) | Netflix

Deixe a Neve Cair, adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome de John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle finalmente chegou neste dia 08 na Netflix depois de muita espera.

Protagonizado por oito nomes fortes da nova era, entre eles Mitchell Hope (Descendentes), Kiernan Shipka (O Mundo Sombrio de Sabrina), Jacob Batalon (Trilogia Homem-Aranha) e Liv Hewson (Dramaworld, Santa Clarita Diet), a adaptação gira ao redor de oito adolescentes numa pacata cidade estadunidense às vésperas do Natal. 

Reconhecendo a joia rara que possui em mãos, é possível notar o cuidado do diretor Luke Snellin logo diante do início lentificado, trabalhando em nos dar tempo de conhecer não só nossos personagens, mas suas impressões e dores que elas imprimem em seus arredores, nos deixando criar falsas - talvez até verdadeiras - concepções sobre aqueles que iremos conhecer, ao mesmo tempo que nos deixa entender que esse início é a sensação deles. Sentimos esse leve arrastar porque é como eles vieram se sentindo, seja por um curto período de tempo ou como irão chegar a se sentir, é o tempo ideal de reconhecer o significado de pacato. Reconhecer o que aquela cidade significa para cada um deles.

Não leve a mal, o início ser lento, ou melhor, cuidadoso, não o torna menos divertido e reconhecível à qualquer adolescente, é justamente o contrário; é o que vai nos levar a ter mais empatia pelos personagens, nos fazer olhar para eles e rir, nos lembrando de situações que já vivemos ou vimos ocorrer, e que talvez - possivelmente - viveremos. E logo essa calmaria é rapidamente alternada por uma sequência de acontecimentos que mexem com as nossas emoções, conturbam aqueles que vemos e reforçam, ainda mais, o carisma que sentimos por eles. Sentimos a raiva que sentem, amamos quem eles amam e nos surpreendemos como eles também o fazem; é assim que vivemos também, aqui do outro lado da tela, e esse filme nos faz abraçar a nossa realidade enquanto podemos fazer o mesmo com a deles.

Eles são um bando de adolescentes que, de alguma maneira insana, estão conectados, o que representa todos nós aqui fora, cada um vivendo a sua própria vida e história individualmente, tropeçando, buscando fazer o que acham certo e aprendendo no caminho. No fim, somos um sendo milhares.

E da mesma forma que não percebemos as mudanças que chegam surdinas, quando menos esperamos já terminamos de assistir ao filme. A uma hora e cinquenta e cinco minutos passada voou como uma noite bem dormida. Rápido assim, você viveu uma vida, se debulhou em lágrimas, riu como se não houvesse amanhã, se viciou numa trilha sonora absolutamente bem montada e coletou quotes que te guiarão durante qualquer fase que esteja, de tal maneira que sua curiosidade pode te levar a descobrir surpresas de pós-créditos (sério, não saiam assim que os créditos começarem a subir).

Sim, é um filme de comédia romântica em época de Natal, mas ele traz muito mais que comédia, muito mais que romances numa época de Natal. Ele traz a sensação de pertencimento, de validade, sobre quem somos e sobre quem podemos ser, sobre quem podemos escolher ser. Ele capta a essência e tudo o mais que o livro pode oferecer e traz numa obra digna de um Oscar o melhor presente que podíamos pedir: vida. 

São poucos filmes que irei descrever como fornecedores de tal, e é um orgulho imenso poder dizer que a adaptação de um dos meus livros favoritos - que mais marcaram a minha vida, tanto que lembrava da história até hoje - é um desses filmes. Eu nunca me senti tão poderoso durante e após ver algo como dessa vez, como se fonte vital entrasse e saísse de mim, como se pela primeira vez eu fosse imparável e a vida, preciosa demais, incrível e perfeita demais para deixar passar.

Esse longa-metragem traz isso: apreciação pela vida e pelo poder de conectividade que ela nos dá, nos deixando cientes que isso não é pouca coisa, que ainda tem um milhão de coisas boas para acontecer em nossas histórias esperando por nós para iniciá-las. Então vá buscar sentir isso também e acesse sua Netflix (e não esqueça de comprar o livro).

Gif Deixe a Neve Cair (film 2019) | Netflix
Imagem: Hyerokyu

Jota Albuquerque

Jota é mais um jovem adulto vagando pela vida sem a menor ideia do que está fazendo (ou acontecendo). Tradutor Intérprete em formação, também pensa em se meter com Ciências Políticas e/ou Cinema. Um ser necessitado de paciência e autopreservação, ele é também um paulistano romântico viciado em pesquisas. Se tiver dúvidas de onde encontra-lo, é só seguir as trilhas de discussões políticas que há por aí.

Crítica: Deixe a Neve Cair, de Luke Snellin Crítica: Deixe a Neve Cair, de Luke Snellin Reviewed by Jota Albuquerque on novembro 12, 2019 Rating: 5

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