Crítica: Velozes & Furiosos - Hobbs & Shaw, de David Leitch

Review Velozes & Furiosos - Hobbs & Shaw, de David Leitch

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw é um filme recheado com ação sem cérebro, delirante e maravilhosa.

Apesar de curtir carros e velocidade nunca assisti por inteiro nenhum filme da franquia Velozes & Furiosos, pois todos me passavam a impressão de ser necessário desligar o cérebro para apreciar a franquia em sua totalidade. Com o atual cenário mundial é essencial se desligar um pouco para manter a sanidade, então o lançamento de Hobbs & Shaw vem bem a calhar. O spin-off dirigido por David Leitch (John Wick, Atomic Blonde e Deadpool 2), conta a história da união de forças entre o policial Luke Hobbs (Dwayne "The Rock" Johnson) com o ex-espião Deckard Shaw (Jason Statham) para combater Brixton (Idris Elba), terrorista geneticamente melhorado com força sobre-humana que ameaça a humanidade por conta de um vírus mortal que está aos “cuidados” da irmã de Shaw, Hattie (Vanessa Kirby).

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(Imagem: Universal Pictures)

Logo nos minutos iniciais o filme estabelece Johnson e Statham como dois tipos distintos de masculinidade tradicional: Hobbs é amigável, grandalhão e filosófico (ele é um fã de Bruce Lee que lê Nietzsche!), enquanto Shaw é o clichê refinado inglês, um "problema de champanhe". Apesar dos constantes insultos e aparente falta de compatibilidade os dois compartilham valores familiares e isso é extremamente importante para estabelecer a conexão entre os personagens, algo que lembra a relação entre de Mel Gibson e Danny Glover, em Máquina Mortífera.

Em quase duas horas e meia, a ação frenética do filme passa rapidamente com suas cenas editadas maniacamente (suspeito que Edward Mãos de Tesouras foi o editor de Hobbs & Shaw, porque só isso justifica a quantidade absurda de cortes por cena). Para colaborar ainda mais com o frenesi das imagens, a trilha sonora composta por Tyler Bates (Guardiões da Galáxia, John Wick e Atomic Blonde) é o glacê do bolo, sempre abrilhantando cada soco, chute, explosão e derrapagem desenfreada - para mais informações sobre a trilha sonora de Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw você pode conferir aqui.

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Se Idris Elba é o Superman negro, Dwayne Johnson é o Capitão América de Hobbs & Shaw (Foto: Universal Pictures)
The Rock e The Stath são carismáticos, mas são os coadjuvantes Idris Elba e Vanessa Kirby que roubam a cena. Brixton, o vilão vivido por Elba, lembra os mais célebres vilões de James Bond com uma língua afiada digna de Moriarty. Ele é o autointitulado Superman negro! Já Vanessa Kirby dá vida a uma Hattie Shaw sensacional. A mulher é incrível. Todas as cenas de Hattie demonstram a capacidade atlética da personagem, sua sagacidade e competência. Não consigo explicar sem dar spoilers, mas Idris Elba e Vanessa Kirby merecem ovação de pé.

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(Imagem: Universal Pictures)
Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw é uma comédia de ação sem pé nem cabeça. E glória a Deus por isso! As acrobacias ignoram os conceitos básicos da física e biologia, mas quem se importa quando o resultado é um trenzinho de soco ou um cara pescando um helicóptero com as mãos nuas? Isso é legal demais! Mas nem tudo são flores; um ponto contra é que apesar de ter um elenco atraente, Hobbs & Shaw não é sexy. Há alguns corpos seminus e beijos, mas nada empolgante. Os beijos são tão sem química que chega a ser constrangedor. Os personagens podem até falar sobre sexo, mas como piada. Como adulta acho decepcionante como os filmes de ação de hoje em dia são pouco sedutores, apesar de ter elencos lindos. Quando visualizado dentro deste contexto, Hobbs & Shaw gera um sentimento de saudades de filmes como O Procurado, estrelado por Angelina Jolie e James McAvoy.

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Esqueça beijos e pegação. O que existe de mais sexy em Hobbs & Shaw é o belíssimo McLaren 720S. Os engenheiros da McLaren estão de parabéns porque esse carro grita orgasmo. (Imagem: Universal Pictures)
Como uma não fã da franquia Velozes & Furiosos, Hobbs & Shaw foi uma experiência tão divertida que me deixou empolgada pelo futuro do spin-off. Que venha mais socos, explosões, trama incoerente, participações especiais espirituosas e mais tempo de tela para Helen Mirren (a mulher é talentosa demais para ser desperdiçada com tão pouco tempo de tela).

Elilyan

Elilyan é uma leitora compulsiva que fala e pensa demais. No resto é super moderada. Escreve sobre livros, cinema, TV, música, sexo, arte, tecnologia e qualquer outra coisa que passe por sua mente insana. Para ler todos os textos da maluca bastar acessar a tag Elilyan Andrade. Se quiser fazer parte do hospício basta segui-la no Twitter e Instagram @elilyan.

Crítica: Velozes & Furiosos - Hobbs & Shaw, de David Leitch Crítica: Velozes & Furiosos - Hobbs & Shaw, de David Leitch Reviewed by Elilyan on agosto 13, 2019 Rating: 5

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