A representatividade no futuro do Universo Cinematográfico Marvel


Depois de tudo o que nos foi apresentado na San Diego Comic-Con e D23, a Marvel se mostrou enfim fora da sombra e garras de Isaac "Ike" Perlmutter.

Para quem não sabia, até meados do fim de 2015 não era Kevin Feige quem possuía total controle sobre o UCM, era Isaac Perlmutter, mais conhecido por Ike Perlmutter, um norte-americano apoiador da extrema-direita, o qual deixou claro diversas vezes o seu suporte ao recente governo estadunidense. Era este quem mandava e desmandava no percurso das histórias, apesar de Feige ser o construtor do Universo Cinematográfico, e justamente por isso possuímos, de 2008 a 2015, tantas histórias com mulheres sendo sub-desenvolvidas, mesmo quando estas eram para ser também as protagonistas.

Para dar contexto a isso, é preciso entender que foi Ike quem financiou a existência do primeiro filme do Homem de Ferro, e através do merchandising do filme, a Marvel conseguiu se reerguer, e isso se deve, especialmente, aos brinquedos. Ele é o dono da Marvel Toys - empresa responsável pelos bonecos da marca -, e é daí que vem o lucro. Se bonecos são vendidos, filmes poderão ser feitos. 

E como se não bastasse ser dono da Marvel Toys, ele também comandava a Marvel Studios, e isso deu força para ele fazer o que bem entendesse na base do achismo, como, por exemplo, barrar a decisão criativa de Homem de Ferro 3 possuir uma vilã, barrar Capitã Marvel de existir mais cedo e barrar a existência do filme da Viúva Negra em 2012. Tudo isso acreditando que "brinquedos de mulheres não vendem tanto", o que diversas vezes foi comprovado ser um pensamento errôneo.

Justamente por essas razões, não é surpreendente ver que com a saída de Ike e início da fase 3 em 2016 com Capitão América: Guerra Civil, os filmes da Marvel vêm se tornando mais inclusivos e com maior diversidade. Porém, apesar da suspeita de um futuro mais acolhedor às minorias políticas em seus filmes devido os dois últimos filmes de sucesso histórico em bilheteria, Pantera Negra e Capitã Marvel, a quantidade de conteúdo diversificado que o painel da Marvel nos forneceu na San Diego Comic-Con não era esperada.

Já em relação à D23, sabíamos que seriam revelações surpreendentes, mas mantínhamos em mente que seriam informações adicionais às que já haviam sido divulgadas e provavelmente a cronologia da fase 5, então os dias chegaram e como uma bola de boliche, a Disney passou por cima de nós. Por isso, hoje vamos falar justamente sobre esses dois eventos históricos e o futuro do Universo Cinematográfico da Marvel.

Imagem: Marvel Studios

Primeiro filme pós-fase 3, Viúva Negra conta com Scarlett Johansson (Natasha Romanoff), David Harbour (Alexei), Florence Pugh (Yelena) , Rachel Weisz (Melina) e O-T Fagbenle (Mason) em seu elenco. Previsto para lançar no primeiro dia de Maio de 2020, possui a direção de Cate Shortland e roteiro de Jac Schaeffer, sendo garantido que é um filme com mais cenas de lutas corporais, especialmente por se tratar de um mundo não-mágico.

A importância de Viúva Negra, principalmente assumindo a liderança da fase 4, é justamente de Natasha Romanoff ser a primeira vingadora, primeiro exemplo para muitas meninas que mulheres também podem ser heroínas. Infelizmente, como vimos acima os motivos, a personagem de Scarlett Johansson não conseguiu tanto destaque e desenvolvimento como seus parceiros de tela, apesar de ter marcado toda uma geração. E pensando nisso, a atriz assumiu a produção do filme, também participando ativamente na escolha de diretora e roteirista para dar justiça à espiã.

Na D23, divulgaram um novo uniforme branco que Natasha usará, causando um alvoroço nas redes sociais sobre onde a história pode ser levada.

Imagem: MCU Direct

Imagem: MCU Direct

Primeiro pôster oficial de Viúva Negra (Imagem: Marvel Studios)

Imagem: Marvel Studios

Os Eternos será uma das produções mais inclusivas divulgadas na San Diego Comic-Con, possuindo diversidade racial, o primeiro personagem abertamente gay (que será casado e terá uma família, como confirmado por Feige para Good Morning America) e uma personagem surda interpretada por uma pessoa com deficiência auditiva. É óbvia a percepção de que será uma produção pesada, principalmente com este elenco deveras poderosoRichard Madden (Ikaris), Kumail Nanjiani (Kingo), Lauren Ridloff (Makkary), Brian Tyree Henry (Phastos), Salma Hayek (Ajax), Lia McHugh (Sprite), Don Lee (Gilgamesh) e Angelina Jolie (Thena).

Na D23 ainda houve alguns acréscimos em relação ao elenco, informando que Gemma Chan (Sersi), Kit Harington (Dane Whitman) e Barry Keoghan (Druig) agora também farão parte do longa. Previsto para 6 de Novembro de 2020, é o segundo filme da fase 4, e o que nos promete grandes visualizações para o futuro da Marvel nos cinemas.

Os trajes dos Eternos

Imagem: Marvel Studios

Confirmada a volta de Anthony Mackie (Sam Wilson/Falcão) e Sebastian Stan (Bucky Barnes/Soldado Invernal), os fãs foram surpreendidos ao verem Emily VanCamp de volta ao MCU para a série do Disney+ como Agente 13. Não bastasse isso, Daniel Brüll voltará como Barão Zemo - o qual, inclusive, teve fotos divulgadas que você poderá encontrar abaixo - e Wyatt Russel foi anunciado como John Walker.


Imagens: @thedanielbruhl

Confirmado que Anthony Mackie já experimentou o traje de Capitão América, Sam Wilson não será chamado de Capitão América. "Eu sou o Falcão e sempre serei o Falcão", disse o ator ao Variety.

Pôster oficial da série divulgado na D23

Com seis episódios, a série está marcada para sair mais para o final de 2020 e será dirigida por Kari Skogland, com roteiro de Derek Kolstad.

Imagem: Marvel Studios

Com as gravações já prestes a começar, a série exclusiva do serviço de streaming da Disney, Disney+, WandaVision terá Elizabeth Olsen (Wanda), Paul Bettany (Visão), Teyonah Parris (Monica Rambeau), Kat Dennings (Darcy), Randall Park (Jimmy Woo) e Kathryn Hahn (vizinha intrometida) no elenco. O seriado é definido como "meio sitcom, meio épico da Marvel" por Kevin Feige. Previsto para a primavera norte-americana, a série é confirmada tendo impacto direto no longa de continuação de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura.

Arte conceitual de WandaVision (Imagem: Marvel Studios)



Sem maiores detalhes de elenco ainda, foi anunciado que Tom Hiddleston voltará interpretando Loki, o anti-vilão preferido de todos, após os eventos de Vingadores: Ultimato. Foi confirmado também que a série terá 6 horas de duração, e Tom ainda provocou os fãs em relação aos vilões em entrevista ao MTV News, dizendo que estes "serão formidáveis".

A série, também exclusiva do Disney+, está prevista para a primavera norte-americana de 2021 com Michael Waldron, produtor de Rick and Morty, anunciado como showrunner, produtor executivo e roteirista do episódio piloto.

Imagem: Marvel Studios

Prevista para o outono estadunidense em 2021, a quarta série do serviço de streaming da Disney, Hawkeye, é a com menos detalhes confirmados até o momento. Só se sabe que ela contará com a volta de Jeremy Renner como Gavião-Arqueiro, acompanhando a introdução e dando treinamento à Kate Bishop, conhecida também como Gaviã-Arqueira.

Imagem: Marvel Studios

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é o primeiro filme com um herói asiático americano, trazendo Simu Liu como Shang-Chi e Tony Chiu-Wai Leung como o Mandarim (dessa vez o verdadeiro), mais Awkwafina, que não possui personagem especificado ainda. O diretor do filme é Destin Daniel Cretton e os roteiristas são Dave Callaham e Steve Englehart, com gravações divulgadas para ocorrerem na Austrália.

Não houve maiores divulgações sobre o filme, somente que enfim teremos a oportunidade de aprender mais sobre a mitologia dos dez anéis, mas isso não impediu ninguém de analisar o que foi disponibilizado e teorizar do que vai se tratar. A análise de Leo Hwan é incrível e necessária para se compreender mais, não só do personagem, mas também do futuro que este filme está trazendo para a Marvel e para todos que são descendentes de asiáticos.


Imagem: Marvel Studios

Do diretor Scott Derrickson, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura contará com Benedict Cumberbatch (Stephen Strange) e Benedict Wong (Wong), além de claro, Elizabeth Olsen (Wanda). Pesadelo será o vilão e este será o primeiro filme de terror do MCU. Chega aos cinemas dia 7 de maio de 2021.

Imagem: Marvel Studios

A série de animação E Se...? trará situações de realidades alternativas, como duas versões de Steve Rogers - iron Steve e zombie Steve - e Capitã Britânica (Captain Britain), em que Peggy Carter está com o soro de supersoldado correndo em suas veias. Serão 23 episódios dirigidos por Bryan Andrews, um para cada filme já lançado. Ashley Bradley é a head writer dessa animação.



Quase todos os atores que já fizeram parte do MCU estarão dublando o seriado, Mark Rufallo e Samuel L. Jackson são dois dentro deste enorme panteão.


Imagem: Marvel Studios

Thor: Amor e Trovão é, provavelmente, entre todos esses filmes que foram divulgados na San Diego Comic-Con, o mais esperado. Motivos? Não faltam. Natalie Portman irá voltar como Jane Foster para assumir o manto de Thor e se tornar A Poderosa Thor. A Valkíria, interpretada por Tessa Thompson, enfim será oficialmente bissexual nas telas, à procura de uma rainha para governar ao seu lado a Nova Asgard. A série Loki pode ter ligação com o filme, e talvez Tom Hiddleston apareça no mesmo. Cate Blanchett (Hela), Idris Elba (Heimdall) e Jeff Goldblum (Grande Mestre) já expressaram interesse em voltar para a primeira franquia a ganhar o seu quarto filme. Sem dúvidas, um prato cheio para todos os amantes dos quadrinhos.

Taika Waititi volta como diretor, sendo também roteirista, do longa que tem previsão para lançar no dia 5 de Novembro de 2021.

Imagem: Marvel Studios

Blade foi confirmado de último momento na San Diego Comic-Con (além de X-Men e Quarteto Fantástico estarem vindo para o UCM e Pantera Negra 2Capitã Marvel 2 Guardiões da Galáxia 3 estarem em desenvolvimento), sendo revelado que Mahershala Ali será o personagem, e que não, não entrará na fase 4.

Ordem cronológica da nova fase
Na D23, quatro outros títulos de futuras produções foram confirmadas, assim fazendo a alegria do público e levando-os à loucura. Com alguns deles, burburinhos voltam com força, focando na constante questão de "quem formulará próximo time de Vingadores?", com sombras de rumores correndo solto sobre o acréscimo das chances de os Jovens Vingadores realmente chegarem à adaptação.

Imagem: Marvel Studios

No logo de Pantera Negra II divulgado por Kevin Feige e Ryan Coogler, diretor da continuação, é possível ver também a data de lançamento, 6 de Maio de 2022. Até o momento, é tudo que foi ao público.


Que Kevin Feige é um grande fã da Capitã Marvel não é novidade, muito menos que cada vez mais próximo desses dois eventos tão importantes para não só a Disney, mas para o mundo, os rumores sobre a inserção de Kamala Khan, uma adolescente muçulmana superfã de Carol Danvers, vinham crescendo. Então quando o presidente do Marvel Studios revelou a inserção de Kamala Khan no MCU através de sua própria série, não só alegrou muitos, como trouxe uma aspiração muito espetacular do futuro: os Inumanos, justamente porque a heroína é uma.

Ms. Marvel terá roteiro por Bisha K. Ali, sendo também showrunner.


A revelação de She Hulk (mais conhecida no Brasil como Mulher-Hulk) não só surpreendeu, como também aumentou esperanças. Por quê? Pois Jennifer Walters e Bruce Banner, além de primos, são extremamente amigos, e isso pode sugerir que teremos um desenvolvimento maior do Hulk de Mark Rufallo, para quem sabe no futuro darem mais destaque para ele. She Hulk não era esperada para uma adaptação, mas foi muitíssimo bem recepcionada com diversos surtos nas redes sociais.

Advogada, a heroína recebe transfusão de sangue do Hulk após ser baleada, o que lhe dá seus poderes nos quadrinhos. Já na série, não se sabe como isso irá ocorrer.


A história de Marc Spector, que era um mercenário e foi abandonado para morrer num deserto no Egito, quando recebe os poderes do deus da lua, Khonsu, está chegando no serviço de streaming da Disney, Disney+, junto de suas companheiras She Hulk e Ms. Marvel. Sem data de estreia, Moon Knight já tem muitos pedidos pela internet para Keanu Reeves ser o seu intérprete.

Cronologia das séries no Disney+ (Imagem: Yahoo)

O significado da Representatividade dentro e fora das produções

Que representatividade é importante, a gente sabe. Mas a gente sabe, de verdade, o significado da palavra?

Segundo o dicionário Michaelis, representatividade é representar, é a exposição oral ou escrita de razões, queixas, reivindicações, etc. a quem se possa interessar ou a quem de direito. Ou seja, não é só sobre jogar o personagem ali e nunca mais tocar nisso. É sobre vivência, e muito mais que isso, é sobre construção de personagem, desenvolvimento, é sobre dar às pessoas seres com quem elas possam se enxergar além dos estereótipos.

Por isso é tão lindo ver como essa nova fase do Universo Cinematográfico Marvel é focada em trazer, além das histórias de quadrinhos com personagens já representativos - como A Poderosa Thor, Valkíria e Kamala Khan -, esses personagens com quem possamos nos identificar construídos sob a lente de quem é igual eles (ou estuda e se interessa em ir atrás de entender quem é igual eles).

Caso não tenha percebido, boa parte das produções que foram divulgadas as diretrizes, é perceptível como, em comparação com as primeiras duas fases, há mais mulheres dirigindo ou em alguma posição de chefe. Isso eleva a compatibilidade e carisma de personagens femininas para a realidade, aprimorando-as como seres humanos, não tornando-as troféus de seus parceiros românticos ou de uma extrema sub-evolução que as deixará esquecíveis.

Essa questão é o que irá diferenciar a Marvel de muitas outras empresas concorrentes, com produções intrigando um público cada vez maior. Ver a volta de tantas personagens femininas que foram sub-desenvolvidas, como Darcy, Agente 13 e Jane Foster mostra como o Kevin Feige e toda a empresa está realmente empenhada em dar o espaço para elas brilharem também, de enfim poderem ganhar o desenvolvimento e destaque merecido.

Isso também se aplica aos personagens não-brancos e com deficiência, os quais sempre foram sub-desenvolvidos ou ignorados. Exemplos não faltam, mas o mais memorável é James Rhodes, o Máquina de Combate, também conhecido como melhor amigo de Tony Stark. Primeiro herói negro do UCM, e também o primeiro com uma deficiência (resultante de sua queda em Guerra Civil), ele sempre esteve sujeito ao esquecimento e fraco aprimoramento.

Agora, Kevin Feige apresenta não só o primeiro herói asiático-americano, mas dois vilões interpretados por asiáticos-americanos; a primeira heroína surda; a segunda heroína latina (a primeira está na série que também faz parte do universo cinematográfico, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D, que encerra sua jornada agora em 2020, na sétima temporada); dois heróis interpretados, respectivamente, por um paquistanês e um sul-coreano; diversos heróis negros; entre tantos outros.

É uma marcação histórica muito importante para as minorias políticas. Poder se ver como herói é algo significativo para as pessoas que fogem dos padrões estabelecidos pela sociedade como "comum" e até mesmo "normal", principalmente como ponto de referência para crianças que há alguns anos cresceriam sem qualquer modelo porque só viam homens brancos e héteros que se identificam com o gênero imposto ao nascimento e acumulam riquezas  - ou que fugiam de suas experiências de vida de outras maneiras - como os protagonistas.

Não é uma questão de excluir esses mesmos homens, como muitos pontuam. É mostrar que o mundo não é só isso, como muitas vezes já foi pontuado por Brie Larson e Tom Holland. É diversificar, mostrar outras histórias, deixar claro que todo mundo, absolutamente todos, podem ser heróis e se ver nos lugares. Gritar ao mundo que na arte não se exclui, se inclui.

E já que estamos falando sobre representação, vou me dar a liberdade de compartilhar com vocês como eu me sinto, sendo uma pessoa LGBTQ, com os anúncios sobre a fase 4 ser recheada de personagens não-cishet (cisgênero e hétero). Ter visto Thor: Ragnarok e descobrir os planos de Taika Waititi de assumir Valkíria bissexual ali me deixou animado e chateado por não terem conseguido levar adiante no momento, mas quando foi divulgado que em Os Eternos haveria o primeiro personagem gay, eu tentei me segurar para não acreditar até que a confirmação viesse. Então, quando eu vi que o Kevin disse que haveria esse personagem mesmo, que ele tinha uma família e era casado, eu não consegui segurar o choro. Só de escrever sobre isso me enche os olhos d'água de novo. É uma felicidade que foi além-teto e eu me permiti sentir tudo que precisava sentir, sabendo que eu podia sentir aquilo, que eu me veria, que teria alguém como eu com superpoderes. E não houveram muitos momentos que eu me senti daquele jeito, em que eu existia e isso era lindo demais a ponto de uma felicidade não conseguir ser descrita ou caber no peito. Fiquei pensando em quem poderia ser e no que isso significaria para o que teríamos para o futuro.

Por isso é tão importante a representatividade, para normalizar, para se sentir visto e ouvido. Nunca foi, nunca vai ser sobre excluir, sempre vai ser sobre incluir, diversificar, expandir a visão de mundo.

Obs.: Os títulos foram traduzidos livremente, ainda não há traduções oficiais.

Jota Albuquerque

Jota é mais um jovem adulto vagando pela vida sem a menor ideia do que está fazendo (ou acontecendo). Tradutor Intérprete em formação, também pensa em se meter com Ciências Políticas e/ou Cinema. Um ser necessitado de paciência e autopreservação, ele é também um paulistano romântico viciado em pesquisas. Se tiver dúvidas de onde encontra-lo, é só seguir as trilhas de discussões políticas que há por aí.

A representatividade no futuro do Universo Cinematográfico Marvel A representatividade no futuro do Universo Cinematográfico Marvel Reviewed by Jota Albuquerque on agosto 27, 2019 Rating: 5

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