Livros LGBT+ para descobrir no mês do Orgulho



Junho não só é o mês da Paradas do Orgulho LGBT em São Paulo, é o mês de celebrações e discussões do universo QUEER. Isso porque, foi em junho que aconteceu a primeira fagulha de luta pela diversidade. O ano era 1969, e era crime se relacionar com alguém do mesmo sexo nos EUA, havia ainda poucos lugares que aceitavam LGBT+ com tranquilidade, mas um deles, em Nova York, era o bar Stonewall Inn, no bairro de Greenwich Village. Entretanto, mesmo ali não havia paz. Frequentes batidas da policia, com prisões, agressões e humilhações aconteciam, até que em 1969 a comunidade LGBT+ se revoltou e resistiu o mundo não podia mais fingir que não via aquelas pessoas e Stonewall Inn se tornou um marco. O dia 28 de junho passou a ser considerado o Dia Internacional do Orgulho LGBTI.

Em vista disso, hoje eu trouxe livros que também disseram “EI EU TÔ AQUI! EU EXISTO.” Para que possamos desfilar lendo nos transportes, abrilhantar nossas estantes e encher nossos corações de esperança. 

*Apenas indiquei livros que li, se falta algo é porque infelizmente ainda não tive o prazer de ler. Aceito indicações.

*Ordem de indicações aleatória.

E se fosse a gente, de Becky Albertalli e Adam Silvera


Sinopse: De férias em Nova York, Arthur está determinado a viver uma aventura digna de um musical da Broadway antes de voltar para casa. Já Ben acabou de terminar seu primeiro relacionamento, e tudo o que mais quer é se livrar da caixa com todas as lembranças do ex-namorado.

Quando eles se conhecem em uma agência dos correios, parece que o universo está mandando um recado claro. Bem, talvez não tão claro assim, já que os dois acabam tomando rumos diferentes sem ao menos saberem o nome ou telefone um do outro.

Em meio a encontros e desencontros — sempre embalados por referências a musicais e à cultura pop —, Ben e Arthur se perguntam: e se a vida não for como os musicais da Broadway e os dois não estiverem destinados a ficarem juntos? Mas e se estiverem? Aos poucos, eles percebem que às vezes as coisas não precisam ser perfeitas para darem certo e que os planos do universo podem ser mais surpreendentes do que eles imaginam

Minha opinião sobre o livro:
Um fato sobre mim: eu adoro histórias tipo conto de fadas com potes de ouro no fim do arco-iris e felizes para sempre. Achar um livro lgbt+ como todos os clichês de romances que amo é um presente, porque por mais importante - e é super - que se conte sobre sair do armário, ser gay num mundo homofóbico, e todos as realidades que pessoas queer enfrentam todos os dias, também é muito legal ler sobre pessoas que se apaixonam, são separadas por um flashmob e estão obstinadas a desvendar se o escritos nas estrelas existe de verdade.  

Minha versão de você, de Christina Lauren


Sinopse: Há três anos a família de Tanner Scott se mudou da Califórnia para Utah, fazendo com que sua bissexualidade voltasse para o armário. Agora, com apenas mais um semestre até o fim das aulas no colegial e seu tão sonhado futuro em uma universidade longe da família, ele só deseja que o tempo passe mais depressa. Quando Autumn, sua melhor amiga, se inscreve na aula de escrita e o desafia a participar, Tanner não consegue recusar o convite, afinal de contas, quatro meses é tempo mais do que suficiente para escrever um livro, certo? O garoto está mais certo do que imagina, pois leva apenas um segundo para que ele note Sebastian Brother, o prodígio mórmon que, nas aulas de escrita do ano anterior, escreveu e publicou o próprio livro, e agora orienta a turma. Se quatro meses é muito tempo, um mês pode não ser. E é exatamente esse tempo que leva para Tanner se apaixonar por Sebastian. 

Minha opinião sobre o livro: Conheço a Christina Lauren por seus livros eróticos, e achei que esse fosse só mais um. Fiquei muito surpresa ao descobrir que não. Esse é aquele livro que quase ninguém que eu conheço leu e acho um ABSURDO (não só porque é um dos meus livros preferidos).A maneira como foi construído e como as questões são abordadas conseguem chegar num lugar que ainda eu não havia visto em outros livros com a mesma pegada. Não imaginava que seria desse jeito, achei que ia ser só um livro gostosinho de ler; e por alguns momentos foi sim, mas só pra ir ladeira abaixo de sofrimento posteriormente e te fazer ter a certeza que nada vai dar certo. Recomendo. E é muito interessante observar os lados opostos do posicionamento dos pais quanto à orientação sexual dos filhos e mesmo suas escolhes enquanto pessoas independentes. Além disso, o livro nos apresenta um pouco sobre os costumes de pessoas que seguem a doutrina A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, popularmente conhecida como A Igreja Mórmon, e gente, eu amo ser apresentada a estilos de vida diferentes dos meus e assim aprender um pouco mais, é dessa maneira que vamos combatendo preconceitos.

Apenas Uma Garota, de Meredith Russo


Sinopse: Prestes a entrar na vida adulta, Amanda Hardy acabou de mudar de cidade, mas a verdadeira mudança de sua vida vai ser encarar algo muito mais importante: a afirmação de sua identidade. Tudo que ela mais quer é viver como qualquer outra garota. E, embora acredite firmemente que toda mudança traz a promessa de um recomeço, ainda não se sente livre para criar laços afetivos. Até que ela conhece Grant, um garoto diferente de todos os outros. Ela não consegue evitar: aos poucos, vai permitindo que Grant entre em sua vida. Quanto mais eles convivem, mais ela se sente impelida a se abrir e revelar seu passado, mas ao mesmo tempo tem muito medo do que pode acontecer se ele souber toda a verdade. Porque o segredo que Amanda esconde é que ela era um menino.

Minha opinião sobre o livro: Esse livro poderia ser mais uma história sobre uma menina adolescente que muda de cidade, vai estudar numa nova escola, desperta o interesse dos boys, vira popular. Quase um filme de comédia romântica estilo "As Patricinhas de Beverly Hills". Na verdade, ele é tudo isso, e passaria assim por suas páginas se o fato da Amanda ter nascido com outro nome não fosse uma questão, infelizmente era. 

Fiquei sabendo que a modela da capa é uma mulher trans. Se isso for verdade, nada mais justo, isso é representar de maneira correta.

Tash e Tolstói, de Kathryn Ormsbee


Sinopse: Natasha Zelenka é apaixonada por filmes antigos, livros clássicos e pelo escritor russo Liev Tolstói. Tanto que Famílias Infelizes, a websérie que a garota produz no YouTube com Jack, sua melhor amiga, é uma adaptação moderna de Anna Karenina. Quando o canal viraliza da noite para o dia, a súbita fama rende milhares de seguidores e, para surpresa de todos, uma indicação à Tuba Dourada, o Oscar das webséries. Esse evento é a grande chance de Tash conhecer pessoalmente Thom, um youtuber de quem sempre foi a fim. Agora, só falta criar coragem para contar a ele que é uma assexual romântica, ou seja, ela se interessa romanticamente por garotos, mas não sente atração sexual por eles. O que Tash mais gostaria de saber é: o que Tolstói faria?

Minha opinião sobre o livro: Primeiro livro que leio com protagonismo ace, o que me faz questionar porque protagonistas ace não estão por ai em várias histórias, uma vez que foi exatamente como várias histórias que já li. A apresentação dos personagens, o desenvolvimento, tudo é como qualquer livro, óbvio que aqui temos o fato da personagem principal contar ou não para as pessoas sobre sua sexualidade, mas ela é só mais uma jovem como qualquer outra, com questões que fazem parte do seu crescimento.

Todo dia, de David Levithan


Sinopse: Todo dia A acorda em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.

Minha opinião sobre o livro: O enredo desse livro é tão original, A não tem gênero ou sexualidade definidos, e é incrível perceber como o livro deixa claro que não há distinção entre masculino, feminino ou outro gênero. Todos são pessoas, e elas vão muito além de sua identidade de gênero, infelizmente sinto que a tradução perdeu um porco dessa característica, e ao logo da história acabamos por nos referir a A, como ele. 

Na minha experiência, desejo é desejo, amor é amor. Nunca me apaixonei por um gênero. Apaixonei-me por indivíduos. Sei que é difícil as pessoas fazerem isso, mas não entendo por que é tão complicado, quando é tão óbvio.
Obs: Infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler um romance com protagnistas lésbicas, apesar de já ter lido romances f/f. Espero que isso mude para que posts como esse realmente englobem todas as pessoas. Aceito dicas e sugestões. E boa leitura para todos nós.

Outras leituras:

Dois Garotos Se Beijando, de David Levithan

Garoto Encontra Garoto, de David Levithan

Simon vs. a agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli

Leah Fora de Sintonia, de Becky Albertalli

One Man Guy, de Michael Barakiva

Will e Will - Um Nome, um Destino, de John Green

A Lógica Inexplicável da Minha Vida, de Benjamin Alire Sáenz

Aconteceu naquele verão - Doze histórias de amor, organizado pela Stephanie Perkins

Lembra Aquela Vez, de Adam Silvera

Tempo ao tempo, de Olívia Pilar

Entre Estantes, de Olívia Pilar

Me chame pelo seu nome, de André Aciman

Taiany Araujo

É mais uma millennial cheia de sonhos, medos e uma paixão pelos anos 90. Fã de Legião Urbana, não dispensa música brega e se identifica como uma mistura de Rubel e Caetano. Não é estranho pegá-la falando sozinha, muito menos perde-la de vista, mas, é só dizer a palavra “livro” que ela aparece mais rápido que fã de Harry Potter pedindo pra colocar os filmes na Netflix.

Livros LGBT+ para descobrir no mês do Orgulho Livros LGBT+ para descobrir no mês do Orgulho Reviewed by Taiany Araujo on junho 25, 2019 Rating: 5

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