Crítica: Rocketman, de Dexter Fletcher



No último dia 12, graças a promoção que divulgamos no nosso Instagram, eu fui ver Rocketman sem custo algum e com o hype lá no alto. Felizmente, o longa-metragem não me decepcionou.

Geralmente eu tento controlar a minha animação com filmes quando vou ao cinema, justamente pra evitar frustrações, mas toda vez que compartilhavam comigo novas informações sobre o filme, fosse sobre a amizade do Taron com o Elton ou que Taron era quem cantava as músicas no longa, eu simplesmente perdia o controle e minhas emoções iam parar no teto, então foi uma ótima experiência sair da sala sem qualquer vestígio de decepção.

O diretor de Rocketman, Dexter Fletcher, numa excelente parceria com Marcus Rowland e Peter Francis na direção de arte, conseguiu entregar um filme absolutamente poético em sua estética, desde as emoções necessárias para algumas cenas até como artifício de passagem de um momento para outro, ou em maneira de nos remeter à uma imagem pré-construída de certa época.

Um exemplo (não é spoiler pois está no trailer): a cena de Elton dentro da água. Impactante, arrepiante e pesada, essa cena é carregada no simbolismo. Além do choque, eu me debulhei em lágrimas e admirei o trabalho, repetindo comigo mesmo "eu não acredito na mensagem que eles estão passando com isso". Eu fiquei, de verdade, maravilhado.

Não são só os coloristas que elogio pelo bom trabalho executado, mas também a trilha sonora, as danças e figurino. Todas esses pormenores, geralmente não apreciados, são o que constroem a grande arte que é este filme.


Sobre a atuação, não só de Taron, mas de outros atores, como Richard Madden, Jamie Bell e Rachel Mulddon, assim como química entre os mesmos: não tenho críticas negativas para fazer, especialmente porque conforme assistia eu me sentia mergulhando dentro da história como um dos personagens, me estressando, amando, rindo e vivendo tudo aquilo junto deles.

A química entre Egerton e Madden é latente, eles passam o fogo do momento pela tela, e seus beijos e cenas mais íntimas são coisas que mostraram o quão entregues eles estavam, dando o corpo e alma para fazer algo bem feito, para encarnar os personagens sem pensar duas vezes.



A química entre Egerton e Bell é outra que vale salientar, a amizade deles é representada cheia de amor, cheia de apreciação e afago, mostrando uma amizade linda, sem masculinidade e heterossexualidade frágil.

Gifs retirados do Tumblr Daishannigans


Enquanto isso, infelizmente não houve muito tempo de tela entre Mulddon e Egerton, mas o que teve foi o suficiente para nos mostrar que se houvesse mais, provavelmente o filme poderia se tornar um coming-of-age com períodos de intervalo para comédia, porque eles realmente nos mostraram, em 3 minutos de tela juntos, que são ótimos parceiros de cena.

Retirado do perfil oficial do Elton John no Giphy

Todos os personagens possuem uma forte ligação com o protagonista, e o modo como a história os conduz deixa bem claro como cada um afetou a vida de Elton John, seja positiva ou negativamente, de uma maneira muitíssimo bem orquestrada, fazendo com que não deixemos passar a importância que esses fatores de impacto possuem para a história num geral.

Um plot envolvente, inspirador e representativo, além de bem construído. Elton John é uma grande figura para muitos LGBTQ+ e é uma pena que eu nunca soube da história dele antes, porque conhecê-lo não me deixaria acreditar estar sozinho.(e pensar que quando criança eu tinha ciúmes dele porque meu pai escutava ele demais e por isso desgostava dele, tsc, tsc, tsc...).Eu saí da sala do cinema limpando os traços de lágrimas das minhas bochechas, consciente do meu amor próprio e ainda meio aéreo em pensamentos.

Sinto que agora eu tenho uma ligação enorme com Elton John, e entendo e admiro ele. Acredito que seja um filme que todos deveriam ver, não deixar passar essa oportunidade única que é presenciar essa poesia, não só estética, mas sentimental. Porque, no fim, é também uma baita de uma aula sobre se amar e se respeitar.

Jota Albuquerque

Jota é mais um jovem adulto vagando pela vida sem a menor ideia do que está fazendo (ou acontecendo). Tradutor Intérprete em formação, também pensa em se meter com Ciências Políticas e/ou Cinema. Um ser necessitado de paciência e autopreservação, ele é também um paulistano romântico viciado em pesquisas. Se tiver dúvidas de onde encontra-lo, é só seguir as trilhas de discussões políticas que há por aí.

Crítica: Rocketman, de Dexter Fletcher Crítica: Rocketman, de Dexter Fletcher Reviewed by Jota Albuquerque on junho 20, 2019 Rating: 5

2 comentários:

  1. Amo sua escrita, o jeito que se expressa, muito orhulho!
    Amo vc!!!!! Obrigada pelo mergulho no filme, deu vontade de assistir.

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  2. Lendo sua crítica aumentou ainda mais minha vontade de assistir ao filme.

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