Mid90s: Um passeio no mundo do skate


Assisti recentemente Mid90s, um filme dirigido por Jonah Hill (Superbad) que mostra um pouco da cena de skate nos anos 90 em Los Angeles (EUA). O filme conta a história de Stevie, um garoto de treze anos, oriundo de uma família problemática que encontra no skate, e mais importante do que isso, no grupo de amigos que faz andando de skate, a fuga perfeita para os seus problemas do dia a dia. Ao fazer isso, Stevie se depara com ainda mais problemas, como o abuso de substâncias químicas e outros que não pretendo contar aqui para não estragar o filme, mas para mim (e acredito que para muitas outras pessoas que assistiram), o filme carrega um sentimento especial, uma nostalgia de uma fase (ou não tão fase assim) em que nos apaixonamos por essa arte maravilhosa que é andar de skate, aquele misto de liberdade, adrenalina e cagaço de quebrar a cara no asfalto ou num corrimão por aí.

Essa é a verdade que o canal Off não mostra.

Sobre a ambientação do filme não posso dizer muito, afinal comecei a andar de skate no início dos anos 2000, no Rio de Janeiro. Os problemas que encontrei foram em alguma medida diferentes (não me envolvi nos mesmos tipos de roles que o pobre Stevie), mas outros me tocaram bastante pelas semelhanças: o sentimento de fuga, a dificuldade financeira de comprar um skate decente, a dificuldade de se enturmar com a galera que pratica, a constante necessidade de parecer cool mesmo só sabendo mandar os truques mais básicos (no meu caso heelflip e kickflip), a necessidade de sair escondido pra praticar por conta de uma família superprotetora, além daquela ideia idiota de que você não precisa de equipamento de proteção porque acha que é o Super Homem, ou que não é legal andar por aí protegido pra praticar um esporte que pode fraturar, quebrar e torcer seu corpo caso dê errado, o que devo ressaltar, é a maior parte do tempo. 

A cultura do skate representou muito pra mim na minha pré-adolescência. Desde a vontade de sair pelas ruas para praticar os truques que nunca saiam do jeito que a gente queria, até o famoso jogo que mesmo quem nunca jogou, provavelmente já ouviu falar: Tony Hawk Pro Skater. Eu fui mais viciado nesse jogo do que gostaria de admitir. Grande parte porque amava os clipes dos skatistas profissionais fazendo as manobras que eu sempre quis fazer mas nunca conseguia, mas também pela trilha sonora que me apresentou, por exemplo, Rage Against The Machine, Public Enemy, Bad Religion, Millencolin, entre outros. Além disso (e talvez o maior motivo de todos), tendo um irmão dois anos mais velho e andando com os amigos dele, era o único jogo em que eu ganhava disparado de todos. 

Além disso, esse jogo maravilhoso me apresentou aquele que viria a ser o meu maior ídolo da cultura do skate: Rodney Mullen. Oriundo do free style, Mullen começou a andar de skate cedo e desbancar todos quando revolucionou a cultura do skate moderna, praticamente inventando o street (uma modalidade na qual você faz manobras no asfalto, usando elementos “da rua” como bancos, corrimãos, etc., em oposição ao vertical, que se utiliza das rampas, piscinas, e mais.),  e literalmente inventando dezenas de manobras toda vez que aparecia para uma nova competição. Com mais de 50 anos, Rodney Mullen ainda anda de skate e para mim é o maior skatista que já andou na face da terra (apesar de eu obviamente entender os fãs de caras como Tony Hawk e Bob Burnquist).

Se você não conhece esse cara, pesquisa vídeos dele na internet. Garanto que não vai se arrepender.

Bem, por esses motivos eu fiquei muito feliz quando mozão me chamou para assistir Mid90s e fiquei ainda mais feliz assistindo esse filme maravilhoso. Não vou negar que o filme tem momentos perturbadores se você lembrar que o protagonista tem 13 anos, mas a nostalgia do filme me fez ter vontade de reaprender a andar de skate e aprender novos truques. Quem sabe um dia...

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Sobre o autor:

J. Costa é pesquisador, viciado em D&D, gosta de jogos (computador, consoles, tabuleiro ou aquela pelada no fim de semana), de tocar instrumentos musicais e é apaixonado pelo Flamengo.

Pensando por aí

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Mid90s: Um passeio no mundo do skate Mid90s: Um passeio no mundo do skate Reviewed by Pensando por aí on maio 09, 2019 Rating: 5

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