Culpar a geração mais nova não é a saída

Foto retirada do clipe musical de Conan Gray, Generation Why

Recentemente recebi uma jóia rara de uma familiar. Realmente, foi uma surpresa, já que ela não havia buscado se comunicar comigo por, ouso dizer, mais de 6 meses, e então, do nada, surge com um texto no meu WhatsApp. Era um texto sobre a minha geração, um texto sobre a famigerada capa da revista Época, de 2018: A Bolha dos Ultrajovens. (sentiu o lance?)

No texto, a pessoa, um professor (pra minha surpresa), diz algumas coisas particularmente curiosas, basicamente falando que houve uma idiotização com essa geração que se preocupa mais com Identidade de Gênero, Apropriação Cultural, canudos e buscar por cursos de Humanas do que aprender sobre matemática e física, buscar cursos que irão aumentar a economia do Brasil (afinal, países de fora focam no management, inteligência artificial e outros "assuntos pertinentes" [palavras dele, não minhas], não é mesmo?) e produzir riquezas.

Ele diz que apesar de profissões de Humanas serem dignas (depois de ser, no mínimo, degradante para com elas), não geram riquezas, afinal, temos um país cheio de sociólogos, não tecnologia. E finaliza deixando claro que países avançados não precisaram ter essas questões discutidas ou aulas sobre causas sociais, que estão aí, trabalhando e gerando riquezas que geram igualdades.


Qual a expressão? Não.

Sendo honesto, eu terminei o texto rindo de indignação porque era muita desinformação num único lugar. Se não havia sido a pior coisa que eu tinha lido na vida, certeza que havia sido a da semana. Mas eu não vou ficar falando sobre o que EU acho, mas sim sobre FATOS, provando que se for pra culpar alguém da situação que as coisas estão, não só no Brasil, mas no mundo, que seja os mais velhos, porque está mais que na hora de parar de querer se esquivar da própria culpa. Chega de desculpas.


Não mais

Sobre a questão de tecnologia, o Brasil tem pouquíssimo amparo à essa área e não é de hoje. Daqui vocês irão sair sabendo que foram feitos cortes de recursos pelo governo federal para a área de ciência e tecnologia em 2017 (e no site da BBC, clicando aqui, você pode ler mais sobre). E não só isso, mas Bolsonaro, o digníssimo presidente, propôs cortes em Humanas, o que impacta diretamente em Ciências e Tecnologias (leia sobre a proposta no site da Folha de S.P. e sobre os impactos no Brasil de Fato). Além de que, pra finalizar com chave de ouro, teve o corte de bolsas pela Capes (leia n'O Globo, clicando aqui). (leia mais)

Ou seja, o que não falta é gente se inscrevendo e buscando por mais campos que são supostamente de Exatas, mas falta, sim, investimento e interesse, além de conhecimento e pesquisas, de nossos governantes (governantes esses que não são da minha geração, nem possuem a mentalidade da minha geração). E por essa falta, obviamente quem estuda nessas áreas busca por ir embora do Brasil, afinal, um país que se recusa a questões que são básicas à discussão para um melhor desenvolvimento não vale o esforço e sofrimento de diversas pessoas por possuir nenhum dinheiro para que possa realizar pesquisas e descobertas, é bem melhor ir para um lugar onde você possui mais chances, além de admiração e até reconhecimento.


Próximo: Questões de Causas Sociais. Não vou discutir a importância, mas mostrar. Nenhum país que hoje em dia está no topo da lista de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, dados a seguir retirados dos Relatórios de Desenvolvimento das Nações Unidas), como é o caso da Noruega (1º), Austrália (4º), Alemanha (5º), Canadá (12º), entre outros , nenhum deles teve uma população que não teve que iniciar as discussões sobre respeito, sobre igualdade e sobre empatia.

Alemanha esteve na frente de duas guerras, a segunda comandada por Hitler, um sujeito preconceituoso que acreditava que só pessoas brancas com olhos claros eram "puras", mas a nação, após tudo que ocorreu, nunca esqueceu da sua história, nunca ignorou ela, eles debateram, tiveram aulas sobre isso, tiveram uma educação transformadora. Tão transformadora que em suas cartilhas, eles falam sobre pessoas LGBTQ, naturalizando-as, e hoje estão aí, em 5º na lista de Desenvolvimento Humano (aqui vocês leem mais).

E Canadá que o diga, com um governo verdadeiramente igualitário (diferente do que o Bolsonaro acredita [segundo o discurso dele no Dia Internacional das Mulheres] ser igualitário num governo em que de 22 pessoas só 2 são mulheres), eles possuem discussões sobre inclusões LGBTQ, de imigrantes e de mulheres, tornando o país um exemplo a ser seguido dia após dia, especialmente na questão da boa educação que oferecem. Você pode ler sobre a educação na BBC; sobre a questão LGBTQ no Razões pra Acreditar , ViaG e G1; sobre o governo igualitário no Razões pra Acreditar. (E eles fornecem links diretos pras fontes de onde tiraram as informações)


"Ninguém na América deveria ter medo de andar na rua de mãos dadas com quem ama"

Barack Obama

Agora sobre canudos e plásticos no geral porque eu realmente acho importante separar isso das Causas Sociais, afinal, apesar de ainda cair sob esse "guarda-chuva", digamos assim, entra numa questão separada, a do Meio Ambiente, já que se a gente não tomar cuidado com o plástico, a gente pode morrer. E nem é só pelo Aquecimento Global, mas pelo câncer que pequenas partículas de plástico que entram em nós. E não sou eu quem digo isso, são cientistas, como bem escrito na Época Negócios. E sobre o Aquecimento Global, saiba mais na Organização WWF. Além de que plásticos maltratam os animais aquáticos, e os submete às situações péssimas como plástico no organismo, como diz a Revista Galileu e Exame. Então talvez possa parecer uma questão frívola a preocupação com os canudinhos, mas é muito maior do que um único canudinho.




Olha que bicho lindo, bicho

E para finalizar, falemos dos Cursos de Humanas. Falar mal de Humanas é dar um tiro no próprio pé, afinal, assim como Biológicas e Exatas, a área de Humanas traz diversos benefícios para a nossa sociedade, e apesar de ter uma ou outra área concorrida, ainda sim não supera um ou outro curso de Biológicas e Exatas, como Engenharia(s), Matemática, Medicina e/ou Medicina Veterinária, entre outros.

Toda escolha Humana acaba impactando positivamente todas as áreas possivelmente existentes, desde Exatas até Biológicas, melhorando a sociedade. Essas profissões voltadas para o campo de Humanas possuem milhares de coisas positivas que não deveriam ser tratadas com descaso simplesmente porque não atendem necessariamente à um tipo de inteligência que sempre foi pregada como a mais importante, a matemática.

Além de que as pessoas deveriam fazer o que elas quisessem e gostassem de fazer, não ser impostas a fazer uma coisa porque a geração anterior quer, porque agora eles se preocupam com uma economia (que só tem a ganhar com uma pluralidade de cursos), mais uma vez transformando tudo sobre eles, não sobre quem virá a seguir.

Jota Albuquerque

Jota é mais um jovem adulto vagando pela vida sem a menor ideia do que está fazendo (ou acontecendo). Tradutor Intérprete em formação, também pensa em se meter com Ciências Políticas e/ou Cinema. Um ser necessitado de paciência e autopreservação, ele é também um paulistano romântico viciado em pesquisas. Se tiver dúvidas de onde encontra-lo, é só seguir as trilhas de discussões políticas que há por aí.

Culpar a geração mais nova não é a saída Culpar a geração mais nova não é a saída Reviewed by Jota Albuquerque on maio 23, 2019 Rating: 5

Um comentário:

  1. Cada dia que passa, eu vejo que a sua geração só tem a ensinar a nossa, uma pena as pessoas se negarem a esse aprendizado! Amo como vc escreve! Muito orgulhosa! Obrigada por ter me escolhido como sua mãe!

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